sexta-feira, 31 de julho de 2009

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Belo Horizonte/ MG Foto:Luis Lima

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Que a sensação deste meu momento seja transmitida a vocês, queridos meus, proporcionando-lhes sensação de liberdade suprema.

Sintam-se beijados!

EG

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"Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda."


Cecília Meireles



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Lembro as mulheres que tem passado pela minha vida,
as verdadeiras não são muitas,
lembro-as pela textura da sua pele,
pelo sabor dos seus beijos,
ou o cheiro das suas roupas,
o tom dos seus murmuros,
e quase todas associadas a algo.
Mas, tu, o plano carnal mais intenso,
gozado sem pressa numa cama desordenada e clandestina,
combinação perfeita de carícias, risos e jogos da mente,
tens gosto a pão, queijo e vinho.
Com quaisquer destes tesouros da cozinha surge diante
de mim uma mulher em particular,
uma antígua amante que volta persistente,
como um fantasma querido,
para pôr certa luz na minha idade madura.
Este pão e este queijo me devolvem o cheiro dos nossos abraços,
e este vinho cordilherano o sabor da tua boca.
Tudo não é mais que uma viagem sem mapa pelas regiões
da memória sensual onde os limites entre o amor e o
apetite são difusos e que inevitavelmente se me perdem ao todo.
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Manuel Schiaffino
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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Gotinhas lusitanas

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"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."
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José Saramago
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O que sei.
Quero hoje, agora, tudo bem real.
Muito doce e pouco sal. Azedume, amargor faz-me mal.
Quero pensamentos despretensiosos.
Nada de muito raciocínio, só descanso na rede ou

Caminhadas sem destino e aventuras no horizonte.
Quero o meu coração ligeiro,
Pernas, mãos e um sorvete de limão.
Saudade quero não.
Quero vento no rosto,
Cantar a minha trilha,
Andar por uma ilha
E conhecer aquele moço.
Aquele forte, queimado de sol,
Que olha de soslaio e sorri com malícia.
Não precisa ser belo, mas encantar é requisito.
Quero a água gelada
Que pula da queda e encontra meu corpo.
Quero o céu a minha frente,
Acima não vejo o seu azul e
Sua boca molhada, sedenta. Pupila dilatada.
Quero alma lavada, brilhante, amada.
Depois de agora é outro sol.

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EG



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segunda-feira, 20 de julho de 2009

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"Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo de chuvas tempestivas, nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."

Clarice Lispector
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As forças da natureza são próprias do mundo.
O meu medo é outro.
Eu temo ter medo do medo.
Eu temo o que é do homem.
Eu temo o que é o ser.
A vida pulsa.
A carne é trêmula.

EG
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terça-feira, 7 de julho de 2009

sexta-feira, 3 de julho de 2009

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Eu quero cantar.
Cantar perdidamente,
Cantar ardentemente, com o coração quente, com a imaginação e a mente.
Cantar até o sol raiar,
Cantar enquanto a noite durar,
Cantar enquanto o amigo acompanhar,
Cantar enquanto o amor perdurar,
Cantar para a vida celebrar.
Cantar, cantar, cantar.
Saborear a alegria e ver findar o desdém.
Cantar a felicidade. Isso vale pra qualquer idade.
Cantar a vida, viver o canto.
Viver o encanto.
Encantar o canto.
Cantar o amor.
Viver em canto.
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EG
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Lu X Flávio Venturini X Renato Russo

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Luluquinha,
O que te mantem viva, firme, forte, na fé, é esta sua arte de cantar sempre.
Cantar bem,
Cantar mal,
Cantar feio ou bonito.
Mas sempre cantar.
Beijo
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Mais Uma Vez

Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem

Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja só a vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende

Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança

Nunca deixe que lhe digam
Que não vale a pena acreditar
No sonho que se tem
Ou que seus sonhos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente enganando a gente
Veja só a vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende

Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre ...
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Minha sexta feira começou musical.
Acordei com o Beto Guedes e suas palavras doces e sutis. Senti uma pontada de alegria que atingiu meu peito em cheio anunciando um final de semana com as emoções sem medidas e limites.
Não sei se serão muitas, poucas, fortes, suaves, intensas.
O fato é.
Acordei extremamente feliz. Mas com uma felicidade diferente, iluminada.
Nada que chegue a suavidade. Sou uma mulher intensa.
Sinto vontade de gritar. Gritar sem parar, necessidade de extravasar e limpar a alma.
Colocar pra fora as energias urbanas dispensáveis e me encher de amor.

EG


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Oh! Meu grande bem

Pudesse eu ver a estrada
Pudesse eu ter
A rota certa que levasse até
Dentro de ti.
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És um luar
Ao mesmo tempo luz e mistério
Como encontrar
A chave desse teu riso sério.
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Beto Guedes.
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quarta-feira, 1 de julho de 2009

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"O pensamento existe além ou aquém dos sistemas ou edifícios de discurso. É algo que se esconde frequentemente, mas anima sempre os comportamentos cotidianos. Há sempre um pouco de pensamento mesmo nas instituições mais tolas, há sempre pensamento nos hábitos mudos.
A crítica consiste em caçar esse pensamento e ensaiar a mudança: mostrar que as coisas não são tão evidentes quanto se crê, fazer de forma que isso que se aceita como vigente em si não o seja mais em si. Fazer a crítica é tornar difíceis os gestos mais fáceis."


M. Foucault
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O pensamento é inevitável e as palavras nem sempre necessárias. Esta é a minha percepção. Não sou filósofa, psicóloga, psiquiatra ou professora. Sou uma estudante, autodidata ainda tímida na arte de compreeenão deste grande pensador que muito me instiga. Encontrei este na novíssima publicação sobre a obra de Paul-Michel Foucault e é minha indicação.

EG


"Vocabulário de Foucault - Um percurso pelos temas, conceitos e autores." que foi lançado no ultimo mês pela Editora Autêntica. Versão em língua portuguesa do livro El Vocabulário de Michel Foucault – Un recorrido alfabético por sus temas, conceptos y autores, de Edgardo Castro com tradução de Ingrid Muller Xavier e revisão técnica de Walter Omar Kohan e Alfredo Veiga Neto.
Produto de um rigoroso e exaustivo estudo, não hesitamos em afirmar que se trata de um instrumento de trabalho precioso, fundamental, utilíssimo para os interessados em pensar com o filósofo e a partir dele.

Para ler um capitulo do livro clique no link.

http://www.autenticaeditora.com.br/livros/item/497

Boa leitura.
Bom pensar.
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terça-feira, 16 de junho de 2009

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Eu quero é muito...
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terça-feira, 2 de junho de 2009

Palavras são gaiolas

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"...Estranha relação é a que temos com as palavras. Aprendemos de pequenos umas quantas, ao longo da existência vamos recolhendo outras que vêm até nós pela instrução, pela conversação, pelo trato com os livros, e, no entanto, em comparação, são pouquíssimas aquelas sobre cujas significações, acepções e sentidos não teríamos nenhumas dúvidas se algum dia nos perguntássemos seriamente se as temos. Assim afirmamos e negamos, assim convencemos e somos convencidos, deduzimos e concluímos, discorrendo impávidos à superfície de conceitos sobre os quais só temos idéias muito vagas e, apesar da falsa segurança que em geral aparentamos enquanto tateamos o caminho no meio da cerração verbal, melhor ou pior lá nos vamos entendendo, e às vezes, nos encontrando..."


José Saramago
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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Entendeu???

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Desejo contido, é desejo sofrido.

A pele fica quente, o coração acelerado, a respiração arfante...

Os olhos brilham, a boca saliva, o pensamento insiste.

EG
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"A única maneira de livra-se de uma tentação é ceder a ela.".

Oscar Wilde

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quarta-feira, 27 de maio de 2009

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No chão dobrado, me escondo dos deprovidos de simpatia.
Sopro a fumaça entre risos, enquanto comentários nada convencionais ecoam pelo universo de concreto.
A moça ao meu lado, acordou quase antes do sol.
Tem a mente branca. Não pensa.
As vozes burguesas, trazem um silêncio estranho, sombrio, enigmático.
Paredes pálidas escutam caladas e sem reação. Vida inútil.
Aquele ser indesejado, tenta se impor com oferendas incrédulas.
Excludente.
Preferiria ouvir violino.


Participação: Deb's Linhares
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Pra pensar

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Deus mora no cérebro
EL PAÍS
Javier Sampedro

O Deus de Abraão era justo, absoluto, incorruptível, transcendente, onisciente, onipotente, onipresente e benevolente. O cristianismo antigo se centrou na fusão de três pessoas numa só entidade divina.
Segundo o sistema de negação de Maimônides, só podemos discutir o que Deus não é. O Todo dos herméticos é mais complicado que a soma de tudo o que existe, e o Buda colocou ênfase na liberação do sofrimento na terra. Vista assim, a religião têm pouco de universal.


Mas as experiências têm trazido à tona um pano de fundo mais simples.Por exemplo, os psicólogos contam a grupos de voluntários uma história em que Deus atende a cinco problemas de uma só vez. Os que acreditam em qualquer religião monoteísta aceitam a narração com naturalidade, já que Deus tem poderes cognitivos de sobra para isso. Mas se pedem para eles lembrarem a história pouco tempo depois, quase todos contam que Deus atendeu os cinco problemas um por um: seu subconsciente humanizou o Deus onipotente da doutrina.


A pesquisa recente em psicologia cognitiva, neurobiologia e antropologia cultural revela que a maioria dos fiéis, seja qual for o culto, têm interiorizado um modelo extremamente antropocêntrico de Deus. Não só possui uma figura humana, mas também utiliza os mesmos processos de percepção, raciocínio e motivação que as pessoas. As crenças explícitas sobre a divindade são muito distintas entre religiões, mas os pressupostos implícitos são quase idênticos na maioria das pessoas.


A característica central de qualquer religião é um núcleo de crenças sobre agentes não físicos. Este tipo de "conceitos sobrenaturais" - que também aparecem na fantasia, nos sonhos e superstições - está muito condicionado por nosso conhecimento do mundo real. Um espírito é um tipo de pessoa, mas que atravessa paredes. Deus compartilha essas limitações dentro da cabeça dos crédulos.


Mas em geral, as crenças subconscientes dos religiosos de qualquer credo são extraordinariamente parecidas: os agentes sobrenaturais exercem uma vigilância permanente do comportamento moral das pessoas, com acesso instantâneo a seus pensamentos e desejos mais íntimos. Os crédulos de qualquer culto também abrigam crenças sobre a existência e as propriedades desses agentes sobrenaturais, e costumam guardar símbolos ou amuletos que os representam, e celebrar rituais em seu nome. Cada grupo social costuma atribuir a esses agentes seu sistema moral, e sua própria coesão social.


Os cientistas cognitivos reuniram muitas evidências de que esse tipo de religião natural está enraizada em qualidades humanas universais - como a capacidade para simular relações com personagens fictícios - que não são específicas da experiência religiosa, mas sim uma conseqüência de ter o cérebro mais desenvolvido, e as estruturas sociais mais complexas e estáveis, que não evoluíram em nenhuma outra espécie animal do planeta.


"O pensamento e o comportamento religioso podem ser considerados parte das capacidades humanas naturais, como a música, os sistemas políticos, as relações familiares ou as alianças étnicas", diz Pascal Boyer, da Universidade de Washington em Saint Louis. Boyer publicou no ano passado dois trabalhos de referência sobre a evolução cognitiva da religião (Nature 455:1038; Annual Review of Anthropology 37:111 ).


O filósofo Daniel Dennett sustenta que os cérebros animais evoluíram em três etapas. O comportamento das "criaturas darwinianas" é determinado geneticamente. As "criaturas skinnerianas" (definidas pelo psicólogo behaviorista B. F. Skinner) dispõem de uma variedade de comportamentos, mas os demonstram aleatoriamente. Os humanos são "criaturas popperianas" (a partir do filósofo da ciência Karl Popper).Uma criatura popperiana faz o mesmo que uma criatura skinneriana, mas só dentro de sua própria cabeça, como uma série de simulações mentais.


O engenheiro da Universidade de Michigan John Holland, pai dos algoritmos genéticos, assegura que "a verdadeira essência de uma vantagem competitiva, seja no xadrez ou na atividade econômica, é a descoberta e a execução de jogadas em um cenário fictício". E entre as principais jogadas que temos que simular, desde a mais tenra idade, estão as situações sociais fictícias."


Todas as crianças estabelecem relações sociais importantes e duradouras com personagens de ficção, amigos imaginários, familiares desaparecidos, heróis invisíveis, namorados imaginados...", diz Boyer.


A prática constante com esse tipo de "agentes não físicos", de fato, pode explicar parte da extraordinária destreza social de nossa espécie, muito superior à dos demais primatas. E a partir daí, o cientista de Washington só vê um pequeno passo até outros "agentes não físicos" como espíritos, deuses e demônios, "intangíveis, mas envolvidos socialmente".


Os agentes sobrenaturais são com frequência a fonte da moral das pessoas religiosas, e também seus vigilantes oniscientes, ou seja, basta pensar em algo pecaminoso para que eles saibam. Esta é outra das crenças mais comuns entre os fiéis de qualquer religião.


A psicologia experimental indica, entretanto, que as crianças compreendem os imperativos morais básicos, como os relacionados ao comportamento justo e ao dano aos seus semelhantes, desde a idade pré-escolar. Isso acontece antes que possam compreender esses conceitos abstratos e com independência do entorno religioso em que os dados são obtidos. A neurobiologia, por outro lado, revelou ligações muito relevantes entre os juízos morais e algumas das emoções humanas mais básicas e universais.


Um dos nós centrais da rede emocional do cérebro é o córtex pré-frontal ventromedial (VMPC). Os pacientes que têm essa área do córtex destruída mostram uma diminuição geral em sua capacidade de resposta emocional e uma significativa redução das emoções sociais - como a compaixão, a vergonha e a culpa que estão estreitamente relacionadas com os valores morais.


O VMPC é muito conhecido pelos neurologistas desde 13 de setembro de 1848, quando uma explosão acidental lançou uma barra de ferro de um metro de comprimento e seis quilos de peso exatamente contra essa região do cérebro de Phineas Gage, o supervisor de um grupo de trabalhadores ferroviários. Sobreviveu, sem danos na capacidade da linguagem e outras funções intelectuais. Mas como um amigo disse pouco tempo depois: "este homem não é mais Phineas Gage".


Todos os graves defeitos que esses pacientes mostram se referem à resposta aos estímulos emocionais ou à regulação dos próprios sentimentos. Suas capacidades de inteligência geral, de raciocínio lógico e de conhecimento das normas sociais e morais permanecem intactas.


Segundo o neurologista Antonio Damasio, vencedor do prêmio Príncipe de Asturias, muitas reações morais de aversão são uma combinação da rejeição visceral a certos atos (matar alguém, por exemplo) e da compaixão instintiva por outro ser humano. Damasio acredita que as emoções não só se associam aos juízos morais, mas que são cruciais para elaborá-los.


"Ainda que os crédulos costumem atribuir sua moralidade a um agente sobrenatural", diz Boyer, "os modelos cognitivos indicam totalmente ocontrário: que nossos sentimentos morais são recrutados para dar verossimilhança às noções morais da religião".


Os ritos religiosos também parecem muito diferentes entre as culturas, mas todos pertencem a uma classe de "comportamentos rituais"constantes na espécie humana. Os ritos se baseiam sempre em alguma sequência de atos arbitrária, obrigatória, executada numa ordem rígida, desligada de um objetivo prático óbvio e repetida muitas vezes. Também implicam com frequência o uso de números, cores chamativas e símbolos de pureza, ordem ou simetria.


Novamente, esses comportamentos rituais são um tema comum no desenvolvimento infantil: por exemplo, quando uma criança só pode andar pela calçada pisando nas lajotas vermelhas, ou tem que subir o primeiro degrau da entrada antes que a porta da rua se feche. As crianças costumam associar esses rituais a algumas vagas noções de purificação e proteção do perigo. Quando esses sistemas são exagerados, ocorre o transtorno obsessivo-compulsivo.


"Sabemos que o cérebro humano tem redes de segurança e precaução dedicadas a prevenir perigos como a predação", disse Boyer. "As crenças religiosas sobre a pureza, sujeira e o perigo oculto dos demônios à espreita estimulam os mesmos sistemas, e fazem com que as precauções rituais se tornem intuitivamente atrativas".


A crítica científica da religião tem se centrado até agora em argumentos racionais.


O astrofísico Carl Sagan, por exemplo, escreveu: "Como é que nenhuma religião olhou para a ciência e concluiu: 'Isso é melhor do que o que temos! O universo é muito maior, mais sutil e elegante do que disseram nossos profetas'?"


"Há quem tenha um conceito tão amplo de Deus que não há como evitar que o acabe encontrando em qualquer parte", afirma Steven Weinberg, físico teórico e prêmio Nobel. "Se quiser acreditar que Deus é energia, poderá encontrá-lo num monte de carbono".


Tradução: Eloise De Vylder


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Isso mesmo.

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Hoje vim agradecer a todos os que se manifestaram carinhosamente comigo na última segunda-feira.
Isso mesmo.
Vocês são os responsáveis por todas as emoções que vivenciei neste dia. Afinal, não existe celebração, mesmo que seja a comemoração do aniversário de seu nascimento, se não houver família, amigos e simpatizantes para te parabenizar pelo início de um novo ciclo.
Imaginem que no início destes novos 365 dias, serão mais 365 amanhecer, 365 anoitecer, 365 jornadas de trabalho, descanso ou diversão, 365 novas ideias (no mínimo), 365 sorrisos, 365 banhos, 2.190.000 palavras já que as mulheres falam em média 6000 palavras por dia, 365 mais oportunidades de fatos que acontecerão e não podemos prever, etc, etc, etc.
Estas citações são mínimas diante de todas as possibilidades criadas pela vida.
Ah universo infinito de alternativas!!!
Enfim, agradeço cada abraço, aperto de mão, palavra escrita, palavra dita ou sussurrada, emoção entregue, cumplicidade, companhia, emoção, desejo verbalizado, carinho e amor recebido.
Obrigada meu infinito Deus de bondade e poder pelo sopro de vida, pela proteção diária e por tudo que sou e possuo. Obrigada mãezinha por oferecer-me o alimento para o corpo e alma mais puro que poderia ter: o seu amor. Obrigada meus queridos por me aceitarem com todos os pontos e vírgulas que são caracteristicos de minha personalidade e por compartilhar comigo tamanha felicidade.
O meu dia foi imensamente feliz.
Beijo a cada coração amigo!

EG
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"Diante da vastidão do tempo e da imensidão do espaço, é uma alegria para mim poder compartilhar uma época e um planeta com vocês."
Carl Seagan.
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segunda-feira, 25 de maio de 2009

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" Não se nasce mulher: torna-se."
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Simone de Beauvoir

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Hoje parei para fazer um balanço da minha vida: repensei os meus erros e relembrei os meus acertos, perdoei-me pelos fracassos e orgulhei-me de minhas vitórias. E entendi que erros, acertos, fracassos e vitórias são a minha história, a história da minha vida. E, por isso, devem ser valorizados por igual. Sem eles eu não seria quem sou hoje.
Tenho paz, saúde, uma família maravilhosa, uma mãezinha espetacular, um trabalho nobre, bons amigos, um mukifo chik, amores vividos, alegria, energia, paixão, sonhos, encantos, coragem, oportunidades de evolução, um coração latente, alegria de viver, amadurecimento, marcas e cicatrizes de aventuras vividas, ilusões, muito amor para doar e receber, e claro, Deus no coração.
Hoje, aos 39 anos de idade sou quem sou e não quem querem que eu seja. Sou livre para não sentir medos, sou mais e vivo com plenitude as minhas oportunidades. Tenho luz própria e quero ser como um girassol que cresce procurando ficar perto do sol, seguindo o seu giro no céu, explodindo o meu amor em lindas pétalas amarelas, inventando verdadeiras estrelas de flores aqui na terra.
EG
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Idade madura

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As lições da infância
desaprendidas na idade madura.
Já não quero palavras
nem delas careço.
Tenho todos os elementos
ao alcance do braço.
Todas as frutas
e consentimentos.
Nenhum desejo débil.
Nem mesmo sinto falta
do que me completa e é quase sempre melancólico.

Estou solto no mundo largo.
Lúcido cavalo
com substância de anjo
circula através de mim.
Sou varado pela noite, atravesso os lagos frios,
absorvo epopéia e carne,
bebo tudo,
desfaço tudo,
torno a criar, a esquecer-me:
durmo agora, recomeço ontem.

De longe vieram chamar-me.
Havia fogo na mata.
Nada pude fazer,
nem tinha vontade.
Toda a água que possuía
irrigava jardins particulares
de atletas retirados, freiras surdas, funcionários demitidos.
Nisso vieram os pássaros,
rubros, sufocados, sem canto,
e pousaram a esmo.
Todos se transformaram em pedra.
Já não sinto piedade.

Antes de mim outros poetas,
depois de mim outros e outros
estão cantando a morte e a prisão.
Moças fatigadas se entregam, soldados se matam
no centro da cidade vencida.
Resisto e penso
numa terra enfim despojada de plantas inúteis,
num pais extraordinário, nu e terno,
Qualquer coisa de melodioso,
não obstante mudo,
além dos desertos onde passam tropas, dos morros onde alguém colocou bandeiras com enigmas, e resolvo embriagar-me.

Já não dirão que estou resignado
e perdi os melhores dias.
Dentro de mim, bem no fundo,
há reservas colossais de tempo,
futuro, pós-futuro, pretérito,
há domingos, regatas, procissões,
há mitos proletários, condutos subterrâneos,
janelas em febre, massas de água salgada, meditação e sarcasmo.
Ninguém me fará calar, gritarei sempre
que se abafe um prazer, apontarei os desanimados,
negociarei em voz baixa com os conspiradores,
transmitirei recados que não se ousa dar nem receber,
serei, no circo, o palhaço,
serei médico, faca de pão, remédio, toalha,
serei bonde, barco, loja de calçados, igreja, enxovia,
serei as coisas mais ordinárias e humanas, e também as
[excepcionais: tudo depende da hora
e de certa inclinação feérica,viva em mim qual um inseto.

Idade madura em olhos, receitas e pés, ela me invade
com sua maré de ciências afinal superadas.
Posso desprezar ou querer os institutos, as lendas,
descobri na pele certos sinais que aos vinte anos não via.
Eles dizem o caminho,
embora também se acovardem
em face a tanta claridade roubada ao tempo.
Mas eu sigo, cada vez menos solitário,
em ruas extremamente dispersas,
transito no canto do homem ou da máquina que roda,
aborreço-me de tanta riqueza, jogo-a toda por um número de casa,e ganho.

Carlos Drummond de Andrade
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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Letargo

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Existe agora um desejo de letargia que me povoa.
Vontade de sono para os dias.
Quero hibernar os sentimentos que te propus,
Que esperei em ti.
Pudesse eu, ser um caracol e esperar findar a estação.
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EG
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